Será que existe receita para viver?
Viver é riscar de giz , desbravar
por um triz, prolongar-se
os ponteiros rodam , em círculos
a exatidão do tempo é nosso maior impasse
pois sob a ótica exata , sob o áspero toque dos seus ponteiros
lateja , sobeja , soluça , tropeça : a vida
que amanhã poderá ser só memória , placa , saudade
seria a sanidade a melhor dose ...(?)
descabida são as medidas que tentam em vão medir
a exatidão das coisas
que dão forma à vida
afinal
quantos litros tem um transbordamento?
quantos metros tem o infinito?
quantos verbos tem o silêncio?
quantos significados tem seus olhos?
melhor desistir de quantificar...
Linha Imaginária
Definitivamente mutante.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
azul vinil
que a vida , ao menos 1/10 de sua duração, seja free jazz intercalado com suspiros de Blues. Aí sim valeria a pena viver os outros 9/10 de bate-estaca.
Valeria o gasto com a troca da agulha .
Valeria o gasto com a troca da agulha .
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
O que é divisa de nós?
irrompemos em vontade e com a direção a tiracolo?
não sei se é mais um sopro
luz intensa chamada ímpeto
às vezes acho que o cartógrafo que desenha nossos limites tá de porre
há quem não acredite em cartógrafos, há quem não acredite em limites
não sei se tudo é distância d´algo que nem temos a idéia do que é
uma saudade parda do desconhecido
uma fome de comida que não vende em mercado e não tem na geladeira
que irrompe de madrugada, em seu silêncio
há quem não acredite em dias
não sei se é eterna noite e o sol é um charlatão
se são impulsos nervosos , sinapses expontâneas o nome disso
se é "Eu" o nome de minha capital
se é clara a voz do dia , frescos os poros da madrugada e niilistas os olhos da noite,
que sejam seus adjetivos seus toques,suas extensões
que seja tudo fronteira, sem alfândega
que seja tudo uma área livre
que sejamos idéias novas
fora da (des)ordem atual
sem a avidez da busca , sem o perímetro determinado
sem calçada, sem rua, nem placa
somente com a despretenciosa e anárquica vontade
nos bolsos de um jeans qualquer , nas solas dos nossos pés descalços
sem medo de pisar nos cadarços....
irrompemos em vontade e com a direção a tiracolo?
não sei se é mais um sopro
luz intensa chamada ímpeto
às vezes acho que o cartógrafo que desenha nossos limites tá de porre
há quem não acredite em cartógrafos, há quem não acredite em limites
não sei se tudo é distância d´algo que nem temos a idéia do que é
uma saudade parda do desconhecido
uma fome de comida que não vende em mercado e não tem na geladeira
que irrompe de madrugada, em seu silêncio
há quem não acredite em dias
não sei se é eterna noite e o sol é um charlatão
se são impulsos nervosos , sinapses expontâneas o nome disso
se é "Eu" o nome de minha capital
se é clara a voz do dia , frescos os poros da madrugada e niilistas os olhos da noite,
que sejam seus adjetivos seus toques,suas extensões
que seja tudo fronteira, sem alfândega
que seja tudo uma área livre
que sejamos idéias novas
fora da (des)ordem atual
sem a avidez da busca , sem o perímetro determinado
sem calçada, sem rua, nem placa
somente com a despretenciosa e anárquica vontade
nos bolsos de um jeans qualquer , nas solas dos nossos pés descalços
sem medo de pisar nos cadarços....
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Gaivotas
Para mim o ato mais puro e destituído de qualquer destes rancores ou temores, alimentados pelo envelhecimento, é fazer uma gaivota. Uma folha de papel pura ou cartolina , escolha a cor, use esse ofício instintivo de dobrar e dar vida à celulose. Quisera poder manusear as demais coisas da vida, intangíveis e indeléveis, e dá-las a insondável habilidade de ar , de movimento, tingir de fresca infância esses dias sisudos , empoeirados e hirsutos .
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Resignificados - a arte de reconstruir as palavras
Semear : o ato de eriçar poros , enternecer alma. Ex: semeou o sol e dedicou-se ao ofício de amanhecer em si.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Açores
As lembranças vêm como vento que invade a janela do quarto e arrebata a luz baixa do criado mudo, são pensamentos quentes de infância com cheiro vermelho das míticas formigas saúvas, que mesclam-se com o sofá vermelho das noites torpes com gosto de uva e ruas com pedras irregulares,a memória é um mascate de relíquias brilhantes , vindas de açores no fundo do peito. Os lábios guardam beijos e línguas, os braços guardam em seus músculos a memória dos abraços, as mãos guardam o tato íntimo entre os dedos. Guardo as idas do eterno em suas diligências ao tempo , guardo muitas de suas aparições , guardo os olhos ternos de minha esposa, seu braços generosos, a fortaleza de seu colo; guardo os bons sabores, guardo os bons tempos , vividos com quem se foi e com ainda está ; os olhos iluminados do meu filho, bem como o seu sorriso, seus primeiros passos, suas palavras de sílabas embaralhadas, seu carinho tão puro , lírico ; guardo o intenso , o furtivo, a respiração ofegante, o à flor da pele, guardo tudo isso com zelo de quem sabe que coleciona o frágil infinito em forma de lembranças , em um mundo dominado pelo bruto esquecimento.
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