O que é divisa de nós?
irrompemos em vontade e com a direção a tiracolo?
não sei se é mais um sopro
luz intensa chamada ímpeto
às vezes acho que o cartógrafo que desenha nossos limites tá de porre
há quem não acredite em cartógrafos, há quem não acredite em limites
não sei se tudo é distância d´algo que nem temos a idéia do que é
uma saudade parda do desconhecido
uma fome de comida que não vende em mercado e não tem na geladeira
que irrompe de madrugada, em seu silêncio
há quem não acredite em dias
não sei se é eterna noite e o sol é um charlatão
se são impulsos nervosos , sinapses expontâneas o nome disso
se é "Eu" o nome de minha capital
se é clara a voz do dia , frescos os poros da madrugada e niilistas os olhos da noite,
que sejam seus adjetivos seus toques,suas extensões
que seja tudo fronteira, sem alfândega
que seja tudo uma área livre
que sejamos idéias novas
fora da (des)ordem atual
sem a avidez da busca , sem o perímetro determinado
sem calçada, sem rua, nem placa
somente com a despretenciosa e anárquica vontade
nos bolsos de um jeans qualquer , nas solas dos nossos pés descalços
sem medo de pisar nos cadarços....
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Gaivotas
Para mim o ato mais puro e destituído de qualquer destes rancores ou temores, alimentados pelo envelhecimento, é fazer uma gaivota. Uma folha de papel pura ou cartolina , escolha a cor, use esse ofício instintivo de dobrar e dar vida à celulose. Quisera poder manusear as demais coisas da vida, intangíveis e indeléveis, e dá-las a insondável habilidade de ar , de movimento, tingir de fresca infância esses dias sisudos , empoeirados e hirsutos .
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Resignificados - a arte de reconstruir as palavras
Semear : o ato de eriçar poros , enternecer alma. Ex: semeou o sol e dedicou-se ao ofício de amanhecer em si.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Açores
As lembranças vêm como vento que invade a janela do quarto e arrebata a luz baixa do criado mudo, são pensamentos quentes de infância com cheiro vermelho das míticas formigas saúvas, que mesclam-se com o sofá vermelho das noites torpes com gosto de uva e ruas com pedras irregulares,a memória é um mascate de relíquias brilhantes , vindas de açores no fundo do peito. Os lábios guardam beijos e línguas, os braços guardam em seus músculos a memória dos abraços, as mãos guardam o tato íntimo entre os dedos. Guardo as idas do eterno em suas diligências ao tempo , guardo muitas de suas aparições , guardo os olhos ternos de minha esposa, seu braços generosos, a fortaleza de seu colo; guardo os bons sabores, guardo os bons tempos , vividos com quem se foi e com ainda está ; os olhos iluminados do meu filho, bem como o seu sorriso, seus primeiros passos, suas palavras de sílabas embaralhadas, seu carinho tão puro , lírico ; guardo o intenso , o furtivo, a respiração ofegante, o à flor da pele, guardo tudo isso com zelo de quem sabe que coleciona o frágil infinito em forma de lembranças , em um mundo dominado pelo bruto esquecimento.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
São trilhas estreitas de precipícios , montanhas ásperas , plantas com espinhos , ar rarefeito. São ardilosos estes descaminhos da alma, onde caminho com pés descalços , pernas tísicas , transpondo-os com passos frágeis.
Viver com alma é desafiar as leis da física ...
Deixei o tênis do lado de fora, em cima do tapete macio, na soleira dos olhos , longe do mundo dos pés esguios e guarnecidos, corpos perdidos na urgência do que nem sabem...
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Saravá
Aos sóis de outono, às tardes preguiçosas,
ao sopro, ao ímpeto ,que vira jazz
aos olhares correspondidos
à cerveja gelada aos 40 graus
ao vinho em noites amenas e a dois
à naturalidade de uma Bossa , eternamente Nova aos ouvidos despretenciosos
às maõs ávidas de tato
ao Rio em dias escancarados , ou em qualquer dia
à expontaneidade em todos os estados
ao mistério , atrás dos olhos, atrás do infinito, atrás dos ritos, atrás da vida
ao charme , a quem o tem, a quem o aprecia,
aos domingo ao ar livre
aos terrenos baldios, às matas virgens , às praias desertas
à poesia fluida , a seus navegantes virtuosos
aos amigos do peito , poucos e raros
SARAVÁ!
Basta que nas veias lhe corra sangue quente
e que os pés sigam adiante....
ao sopro, ao ímpeto ,que vira jazz
aos olhares correspondidos
à cerveja gelada aos 40 graus
ao vinho em noites amenas e a dois
à naturalidade de uma Bossa , eternamente Nova aos ouvidos despretenciosos
às maõs ávidas de tato
ao Rio em dias escancarados , ou em qualquer dia
à expontaneidade em todos os estados
ao mistério , atrás dos olhos, atrás do infinito, atrás dos ritos, atrás da vida
ao charme , a quem o tem, a quem o aprecia,
aos domingo ao ar livre
aos terrenos baldios, às matas virgens , às praias desertas
à poesia fluida , a seus navegantes virtuosos
aos amigos do peito , poucos e raros
SARAVÁ!
Basta que nas veias lhe corra sangue quente
e que os pés sigam adiante....
sábado, 10 de setembro de 2011
Dos desejos
Desejo
abraço amplo
onde o toque é feixe
no descortinar da manhã
Desejo
a todos os sentimentos este ímpeto
de abraço aberto , em arrevoada
Somos arquipélogos
carentes do furtivo abraço com o mar
sem desejo e seus sentimentos contíguos
somos só água e horizonte
em silencioso naufrágio
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A Fábula do Mussum ou A Realidade
Big Ben, Big Bang.
Não, esse alarido não é o do tempo passando, nem revolução iniciando , nem sopa
nutritiva , talvez um lodoçal imenso, onde nem mosca pousa...
Passos ocos, descalços , não é dança, nem coreografia, não é marcha, nem movimento. Não tem
prós , nem contras, situação, oposição, extrema direita ou esquerda ... Só aglomeração , pessoas e mais
pessoas, aos borbotões... e para onde caminham?
- Vamos botar o brócolis na rua! - bradou marotamente.
Era o Mussum? Provavelmente um personagem dos Trapalhões...
Para onde caminham esse brócolis , Mussum? Qual a rua que vão?
Não sabem , pois as placas não têm CEP , nem logradouro.
Então botaram o ócio na rua...
Ergueram faixas, estandartes, sem dizeres e brasões.
Mestre -salas, porta-bandeiras,carros de som, milhares de alas desordenadas,
Alô Grêmio Recreativo dos Anônimos, chegou a hora!! Mas o relógio parou... a hora foi definitivamente perdida... No relógio da Central os ponteiros apontam para o céu em cronológica e inútil prece...
Então esse alarido é a caixa, pandeiro, a bateria , o surdo , fundidos em inebriante enredo?
não, só durante sete intensos e luminosos dias , uma miragem em meio à caatinga dos demais dias...
não , somente de quatro em quatro anos, uma esquálida luz engolida por um turbilhão cinzento.
não , somente durante nefastos períodos da eleição do maquinista desse trem eternamente
descarrilhado...
Então essa miríade desbotada ,perdida na insânia, um circo, um enorme picadeiro, uma multidão de
palhaços augustos, brancos, pardos - os arquétipos se misturam em uma imensidão sem substância, sob leis, normas, confusas e dissonantes pela própria natureza - És bela, és forte , impávida?
Não, és pálida horda insconsciente...
Estão agora se perfilando , tropas com sorrisos desnutridos, essas filas são para quê?
Um mal-humorado servente retira de calderões fumegantes parcos tragos com sua enegrecida concha e
coloca em pratos uma massa indefida. Em troca de um níquel carcomido ,um por um, recebem o desjejum e sorriem. `Por ser um espasmo coletivo ou por ser o único gesto que lhe restam...
As pessoas da sala de jantar construíram um terraço e agora são acostumados, além de nascer e
morrer, neste intervalo, eles repousam em longo esquecimento.
E este alarido, a muitos inaudível ?
é a transição do habitual Panem et circenses dos tempos idos, tempos de grandes monstros mitológicos e maldições de Nosferatu para o atual fabas et ipsum, de matizes surreais dos roriz e outros muitos, de uma tela que antes fosse, respeitável público, uma obra imaginária de uma trágica fábula...
Não, esse alarido não é o do tempo passando, nem revolução iniciando , nem sopa
nutritiva , talvez um lodoçal imenso, onde nem mosca pousa...
Passos ocos, descalços , não é dança, nem coreografia, não é marcha, nem movimento. Não tem
prós , nem contras, situação, oposição, extrema direita ou esquerda ... Só aglomeração , pessoas e mais
pessoas, aos borbotões... e para onde caminham?
- Vamos botar o brócolis na rua! - bradou marotamente.
Era o Mussum? Provavelmente um personagem dos Trapalhões...
Para onde caminham esse brócolis , Mussum? Qual a rua que vão?
Não sabem , pois as placas não têm CEP , nem logradouro.
Então botaram o ócio na rua...
Ergueram faixas, estandartes, sem dizeres e brasões.
Mestre -salas, porta-bandeiras,carros de som, milhares de alas desordenadas,
Alô Grêmio Recreativo dos Anônimos, chegou a hora!! Mas o relógio parou... a hora foi definitivamente perdida... No relógio da Central os ponteiros apontam para o céu em cronológica e inútil prece...
Então esse alarido é a caixa, pandeiro, a bateria , o surdo , fundidos em inebriante enredo?
não, só durante sete intensos e luminosos dias , uma miragem em meio à caatinga dos demais dias...
não , somente de quatro em quatro anos, uma esquálida luz engolida por um turbilhão cinzento.
não , somente durante nefastos períodos da eleição do maquinista desse trem eternamente
descarrilhado...
Então essa miríade desbotada ,perdida na insânia, um circo, um enorme picadeiro, uma multidão de
palhaços augustos, brancos, pardos - os arquétipos se misturam em uma imensidão sem substância, sob leis, normas, confusas e dissonantes pela própria natureza - És bela, és forte , impávida?
Não, és pálida horda insconsciente...
Estão agora se perfilando , tropas com sorrisos desnutridos, essas filas são para quê?
Um mal-humorado servente retira de calderões fumegantes parcos tragos com sua enegrecida concha e
coloca em pratos uma massa indefida. Em troca de um níquel carcomido ,um por um, recebem o desjejum e sorriem. `Por ser um espasmo coletivo ou por ser o único gesto que lhe restam...
As pessoas da sala de jantar construíram um terraço e agora são acostumados, além de nascer e
morrer, neste intervalo, eles repousam em longo esquecimento.
E este alarido, a muitos inaudível ?
é a transição do habitual Panem et circenses dos tempos idos, tempos de grandes monstros mitológicos e maldições de Nosferatu para o atual fabas et ipsum, de matizes surreais dos roriz e outros muitos, de uma tela que antes fosse, respeitável público, uma obra imaginária de uma trágica fábula...
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Mito remontado
Recolheu suas memórias empardecidas e colocou em formol, junto com o humor. Ficou em estado alcalino, mandou consertar suas turbinas, varreu bem as poeiras, as caspas, pôs rijas cordas novas em sua harpa, passou a cuidar do seu jardim: estava infestado de ervas daninhas, terra ociosa e lembranças heroicas de triunfos desconhecidos.
Saiu de longo transe, extensa nostalgia, coma induzido por uma mente doentia que revivia sua vida pueril, enriquecendo aqui e ali o roto passado, fazendo incisões e obliterando os fatos amargos, pondo açúcar nos cafés já bebidos.
Era um aflito editor de mãos trêmulas que tentava mudar o roteiro de filme que já rodou e saiu de cartaz .
Cruzou a soleira tênue , divisa de suas fantasias com seu mundo de imponderáveis planícies e planaltos , ensaiando cambaleantes passos , com suas pernas dormentes , após longo sono embriagado. O sol o queimava rudemente naquela manhã de um mês que nem sabia, só que era azul e o acometia como um pontapé no estômago. Na boca ainda trazia uma saliva agridoce do passado, que aos poucos ia desvanecendo.
As portas do hangar foram abertas e este foi posto a luz da lucidez, em seu voo de estreia. Via do alto a ele próprio em sua totalidade, como num vislumbre Xamânico. Estava enjaulado do lado de fora, na superfície áspera, como num eterno reclame publicitário, onde o produto anunciado era a doce e refrescante inconsciência.
Agora iniciava jornada para dentro de si, a fim de desbravar seu imenso e intacto território e assim remontou o mito, desvencilhando-se das espessas platônicas correntes do mundo exterior para libertar-se na Caverna....
Saiu de longo transe, extensa nostalgia, coma induzido por uma mente doentia que revivia sua vida pueril, enriquecendo aqui e ali o roto passado, fazendo incisões e obliterando os fatos amargos, pondo açúcar nos cafés já bebidos.
Era um aflito editor de mãos trêmulas que tentava mudar o roteiro de filme que já rodou e saiu de cartaz .
Cruzou a soleira tênue , divisa de suas fantasias com seu mundo de imponderáveis planícies e planaltos , ensaiando cambaleantes passos , com suas pernas dormentes , após longo sono embriagado. O sol o queimava rudemente naquela manhã de um mês que nem sabia, só que era azul e o acometia como um pontapé no estômago. Na boca ainda trazia uma saliva agridoce do passado, que aos poucos ia desvanecendo.
As portas do hangar foram abertas e este foi posto a luz da lucidez, em seu voo de estreia. Via do alto a ele próprio em sua totalidade, como num vislumbre Xamânico. Estava enjaulado do lado de fora, na superfície áspera, como num eterno reclame publicitário, onde o produto anunciado era a doce e refrescante inconsciência.
Agora iniciava jornada para dentro de si, a fim de desbravar seu imenso e intacto território e assim remontou o mito, desvencilhando-se das espessas platônicas correntes do mundo exterior para libertar-se na Caverna....
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Afã
Ledo engano
Nenhuma palavra
é vã
Basta deixar
Palavra maturar
Para colhê-la
Basta palavra brotar
Ofegante, bruta
Dai dosar
arremedo de palavra crua
Com palavra do alambique
Até palavra ser
De sua posse
Até tomar corpo
Boca , voz
Sair em verso, samba-canção
Prosa , lira, grito
Da forma que quiser
Desde que saia desnuda
DE peito aberto
Decerto que palavra não terá vindo em vão ....
Ledo engano
Nenhuma palavra
é vã
Basta deixar
Palavra maturar
Para colhê-la
Basta palavra brotar
Ofegante, bruta
Dai dosar
arremedo de palavra crua
Com palavra do alambique
Até palavra ser
De sua posse
Até tomar corpo
Boca , voz
Sair em verso, samba-canção
Prosa , lira, grito
Da forma que quiser
Desde que saia desnuda
DE peito aberto
Decerto que palavra não terá vindo em vão ....
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Mantra de uma manhã qualquer
Desentenda mais as coisas , nem sempre a neurose da razão eh bom antídoto para angustias e pedantismo .
Leia menos bulas , fuja menos de chuva , se desconstrua a ponto de não reconhecer-se.
Rabisque a pauta , bagunce o roteiro , se livre dos medos , das convenções , dos recalques e vá ser você em estado puro , tire o dia para rejeitar conselhos , refutar absolutas verdades , ser seu próprio ídolo , mártir e escrever as suas previsões , se for necessário , troque o signo do zodíaco.
Hoje eh o decisivo dia de você atingir o objetivo desconhecido , portanto desarme sua tropa e bom dia!
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Recado deixado nas asas da alma.
Tens o vigor retido de correnteza retesada em acanhada garrafa, tens a incidência solar na ponta dos dedos e à disposição, mas raramente amanhece , dentro da noite de sua solidão . Tens veemência , tens substância e inteligência e no entanto se relega ao curso determinado , olhas os ponteiros girarem, impassível. Tens Hessiana coragem , pés talhados a grandes caminhadas , mas preferes repousar sua mente em estreita varanda , os olhos vidrados na mortiça vizinhança enquanto o mundo arde a espera de sua combustão improvável, pois és inflamavel e não queima. Tens a si e ignora , no cimo cego de sua majestade . Roga aos céus nobreza que lhe transborda . Cega , a ignora e roga em rouco clamor liberdade , enquanto suas asas arcam em inconsciente semi-vôo abreviado pelo choque no gesso do teto de seus supostos limites...
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Noir te
Longe as luzes cintilam, é noite com seus prédios de olhos amarelados, ruas com fluxos ruidosos , é barco sem rumo , repletos de marujos, sem capitão. É noite aprazível pois esconde a fratura exposta do dia, seu céu negro é como uma oração chula, agnóstica ante à nudez da lua, engole o abandono das praças e a tudo iguala em parda democracia, indômito luto , de aromas difusos , doce poesia da ignomínia . É noite que forja suas leis, em insone plenário das estrelas. É noite pulsante , amante de fartas coxas frementes , que parte nua, insolente, iluminada pela manhã .....
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Acho curioso postar em um BLOG que acumulou a poeira do tempo... Lendo os posts, revivendo o tempo, deixando este rio de águas passadas me lavar de memórias...
Esse post é praticamente uma nota mental , onde posso me vestir da liberdade pura, da doce e livre palavra, aliás, a solidão, nessa concepção, é um estado que devíamos trazer conosco , dentro de nossa mochila , com um frasco de extrato concentrado de paixão, pastilhas de ímpeto, um punhado de serenidade e não esquecer de encher um cantil com eternidade. Pois apesar de não sermos eternos em existência , temos a paradoxal habilidade de sintetizar a eternidade em determinados instantes.
Esse post é praticamente uma nota mental , onde posso me vestir da liberdade pura, da doce e livre palavra, aliás, a solidão, nessa concepção, é um estado que devíamos trazer conosco , dentro de nossa mochila , com um frasco de extrato concentrado de paixão, pastilhas de ímpeto, um punhado de serenidade e não esquecer de encher um cantil com eternidade. Pois apesar de não sermos eternos em existência , temos a paradoxal habilidade de sintetizar a eternidade em determinados instantes.
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