Big Ben, Big Bang.
Não, esse alarido não é o do tempo passando, nem revolução iniciando , nem sopa
nutritiva , talvez um lodoçal imenso, onde nem mosca pousa...
Passos ocos, descalços , não é dança, nem coreografia, não é marcha, nem movimento. Não tem
prós , nem contras, situação, oposição, extrema direita ou esquerda ... Só aglomeração , pessoas e mais
pessoas, aos borbotões... e para onde caminham?
- Vamos botar o brócolis na rua! - bradou marotamente.
Era o Mussum? Provavelmente um personagem dos Trapalhões...
Para onde caminham esse brócolis , Mussum? Qual a rua que vão?
Não sabem , pois as placas não têm CEP , nem logradouro.
Então botaram o ócio na rua...
Ergueram faixas, estandartes, sem dizeres e brasões.
Mestre -salas, porta-bandeiras,carros de som, milhares de alas desordenadas,
Alô Grêmio Recreativo dos Anônimos, chegou a hora!! Mas o relógio parou... a hora foi definitivamente perdida... No relógio da Central os ponteiros apontam para o céu em cronológica e inútil prece...
Então esse alarido é a caixa, pandeiro, a bateria , o surdo , fundidos em inebriante enredo?
não, só durante sete intensos e luminosos dias , uma miragem em meio à caatinga dos demais dias...
não , somente de quatro em quatro anos, uma esquálida luz engolida por um turbilhão cinzento.
não , somente durante nefastos períodos da eleição do maquinista desse trem eternamente
descarrilhado...
Então essa miríade desbotada ,perdida na insânia, um circo, um enorme picadeiro, uma multidão de
palhaços augustos, brancos, pardos - os arquétipos se misturam em uma imensidão sem substância, sob leis, normas, confusas e dissonantes pela própria natureza - És bela, és forte , impávida?
Não, és pálida horda insconsciente...
Estão agora se perfilando , tropas com sorrisos desnutridos, essas filas são para quê?
Um mal-humorado servente retira de calderões fumegantes parcos tragos com sua enegrecida concha e
coloca em pratos uma massa indefida. Em troca de um níquel carcomido ,um por um, recebem o desjejum e sorriem. `Por ser um espasmo coletivo ou por ser o único gesto que lhe restam...
As pessoas da sala de jantar construíram um terraço e agora são acostumados, além de nascer e
morrer, neste intervalo, eles repousam em longo esquecimento.
E este alarido, a muitos inaudível ?
é a transição do habitual Panem et circenses dos tempos idos, tempos de grandes monstros mitológicos e maldições de Nosferatu para o atual fabas et ipsum, de matizes surreais dos roriz e outros muitos, de uma tela que antes fosse, respeitável público, uma obra imaginária de uma trágica fábula...
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